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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Da fragilidade das relações



“Há algo  inevitável na queda de deuses; não caem um pouco de cada vez, desmoronam abruptamente e se espatifam, mergulhando no lodaçal. É um trabalho árduo e tedioso tornar a erguê-los, mas a verdade é que nunca mais brilham como antes.” 
John Steinbeck
O Elan
A amizade se dá por um ato de afinidade, de aproximação de curiosidade pelo que o outro é. O que sente; o que vê; o que viu. Como reage às coisas, o que quer ver, provar, sentir.
A tentativa de absorver no (do) outro sensações, fantasias, sonhos, colher pensamentos e razões.
Tillandsias em flor - Foto: Djair

O congraçamento
E no intuito de se reconhecer no outro, acaba-se, por também colocarmos todas as cartas à mesa. Sem, importar, se os naipes são de fantasias, de dor, amor, alegria, tristeza, ou se trazem apenas futilidades e mimos que se cultiva sem deles apercerber-se. E assim, tenta-se manter a simbiose. Comparando vinhos, degustando filmes, provando saladas e preferindo as carnes, escondidinhos...
 O esgarçamento
Mas a mais das vezes, tudo é frágil, fugaz, neblinado. E sem que se deem conta, ou talvez porque saibam de ambos o tamanho da carga de existir, se afastam. Distanciam-se sem alarde, tentando fazer silêncio para que a fuga não seja percebida, embora na maioria essa fuga, que o silêncio acoberta, seja recíproca.
 O rompimento
O momento do “creck”, onde se dá a primeira rachadura na porcelana, onde se inicia o rompimento, a mais das vezes, não nos é dado perceber com clareza. Pequeninas coisas, um gesto rude, uma palavra dita em tom de escárnio, um abuso na confiança, atos sutis... Um pequeno ciúme despertado por uma amizade outra, um descaso com algo que para o outro tem grande importância, uma piada feita na hora errada, a atenção maior ao celular ou a contínua interrupção quando falamos. A necessidade de ser o centro das atenções em qualquer ocasião lustrando seu ego, e colocando-o acima do super-ego dos demais... Qualquer deles pode ser o gatilho do primeiro disparo, a partir daí não há retorno, somam-se impactos. E como as ondas apagando pegadas, os sentimentos comuns e as ideologias afins, já não são nítidas, não se partilham. O tempo, esse se encarrega do resto, às vezes em cumplicidade com a distância, sua amante preferida. E assim, nem é preciso esperar o Alzheimer para que se esqueçam nomes.

8 comentários:

  1. Djair, texto mais que sábio. Infelizmente acontece. No nosso caso, esquecimento por enquanto não, saudade imensa, amor que até dói no peito. Acho que mesmo longe, jamais esquecerei dos nossos momentos. Beijos no coração.

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  2. Belo texto para iniciar o dia! Ainda tenho a esperança de algum dia ser muuuito evoluída para passar por cima desses estranhamentos com algumas pessoas. Mas somente aquelas que eu ainda considero valer a pena. Bjs e saudades!

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    1. Pois é Rô, eu também, enquanto esse dia não chega, trabalho na terapia e escrevo textos. rsrsrs Beijão

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  3. Djair como vai?
    Que texto belo, muito bem escrito e puxa, como tudo isso é recorrente amigo!

    Você está decepcionado com as amizades? Ah, isso é mais comum do que possa imaginar...Infelizmente, hoje em dia falta a reciprocidade em uma relação verdadeira de amizade...
    E como você disse em seu texto, uma palavrinha fora do contexto, uma ironia e outros detalhes podem romper para sempre uma amizade que no início fora tão bela.

    Amigo, estou sentindo sua falta no facebook, o que aconteceu?
    Vim aqui ao seu blog para buscar notícias suas tá?
    Deixo um grande beijo e desejos de uma Páscoa de muita paz e muito amor!
    Boa semana! :))))

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  4. Olá querida, então... São reflexões vinda de observações das relações humanas, não necessariamente as minhas.

    Então, resolvi sair do Facebook, nada tem acrescentado que valha muito o gasto com ele. De energia principalmente, então, vou ficando por aqui, ainda matenho o twitter @prajalpa e aqui tenho escrito muito pouco, dedicando-me ao "Antonio" um romance que se tudo correr bem lanço ainda este ano... E assim vamos.
    Beijão

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    1. Você não é o único que saiu do facebook meu querido Djair. Também saí de lá, rs. Estou voltando ao blog, a parar um pouco pra pensar e escrever uma coisinha aqui, outra ali. Saudade irmão.

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  5. Pois é Barata, até escrever no blog tava difícil...

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